Missão

Desenvolvermos soluções acessíveis e de qualidade, solucionando os problemas e agregando valor ao serviço prestado por nossos clientes.

Visão

Sermos reconhecidos como profissionais de excelência em nossas áreas de atuação.

Compromisso

Fornecer aos clientes o melhor serviço e com a melhor qualidade.

Vivendo de Software Livre

Este artigo está vindo de resposta a várias críticas quanto ao modelo adotado por diversas licenças livres. Ele exige que você tenha uma base a respeito das licenças (pode ser mínima, como a fornecida no artigo Uso de Software Livre) e uma mente aberta para vislumbrar novas maneiras de trabalhar.

O primeiro ponto importante no que vai ser dito aqui refere-se principalmente a este parágrafo do artigo anterior:

Várias empresas e veículos de imprensa têm voltado sua atenção ao software livre. A principal causadora desta atenção é a economia que se obtém ao utilizar sistemas operacionais como o Linux substituindo sistemas operacionais comerciais (como outros Unix, Windows, etc.).

Em momento algum é dito que empresas devem fornecer serviços e trabalhar de graça. A idéia exposta acima é verdadeira: sistemas livres têm um custo menor. Uma busca na Internet revela isso para qualquer pessoa em pouco tempo. Se o custo fosse maior que em sistemas proprietários, o conceito de software livre teria sido mais um natimorto (morto ao nascer).

O interessante é que comenta-se a respeito de pagamentos e de necessidades para a vida. A instituição de software livre como uma hegemonia não obrigaria que você trabalhasse de graça. Obrigaria que você fizesse seu serviço de maneira exemplar e organizada: todos estariam olhando o que você fez e todos poderiam julgar a qualidade de teu trabalho. O software livre torna possível eliminar coisas como "os fins justificam os meios" — ou, mais adequado ao contexto, "o que importa é o resultado final".

O resultado de um projeto é tão importante quanto o serviço para realizá-lo. Ninguém gostaria de ter uma casa maravilhosamente bela onde não pudesse prender um quadro na parede pois a estrutura é frágil. Transfere-se conceitos de outras profissões para o desenvolvimento de software, afinal, além de ver o resultado, você pôde acompanhar todo o processo de construção de uma casa ou edifício, mesmo que não seja exatamente o seu. Se uma construtora foi ineficiente em um projeto, o que garante a qualidade do serviço da mesma em outro?

Uma das liberdades adquiridas é a de conhecer o trabalho de quem lhe presta serviço e desenvolve software que será usado para algo importante no seu cotidiano ou no cotidiano de sua empresa.

O segundo ponto importante consiste nos seguintes trechos do artigo supracitado:

Embora essa razão seja interessante, é preciso distingüir o que torna um sistema livre do que o torna gratuito.

(...)

Em se tratando de software, qual é o conceito de liberdade? Gratuidade? Livre acesso? Livre utilização?

Qual o conceito de liberdade defendido? Certamente não é o da gratuidade pois, citando um caso específico, o próprio autor da GPL vendia seu primeiro software livre (o editor de textos Emacs) para conseguir fundos para sua causa.

As preocupações ao se inserir uma licença em seu código devem ser, principal mas não unicamente, as seguintes:

Num universo onde haja a visibilidade e a liberdade do software não é necessário haver a pirataria. Automaticamente as pessoas usariam e reutilizariam códigos já prontos — mesmo de outras pessoas — e citariam sua fonte de origem.

A reutilização de códigos é algo considerado "moderno" nas linguagens orientadas a objetos e nos componentes que são utilizados para se escrever um ou outro sistema. Por quê não extender este conceito para todo o software?

Mas como vive uma empresa com software livre?

A G²C Tech, por exemplo, é uma empresa que vive de software livre. Os sistemas são escritos de maneira que possam ser portados para diferentes sistemas operacionais (como no caso Linux e FreeBSD, por exemplo, ou até mesmo Linux, FreeBSD e Windows) ou, em casos onde isso não é possível, são desenvolvidos para a plataforma do cliente.

Ao encerrar um projeto onde houve a criação de código, o cliente recebe um CD com o projeto completo e documentado, liberando-o assim para que possa ampliar seu sistema ou reutilizá-lo em outras máquinas.

A idéia de que outro desenvolvedor possa pegar este código e revendê-lo existe, mas o cliente apenas fará isto se os serviços ou condições propostas pela G²C forem piores que o de um concorrente.

A utilização de software livre faz, então, com que tenhamos que oferecer serviços de qualidade a preços acessíveis. E este é exatamente o desejo do mercado empresarial que temos como cliente.

Todos os passos são documentados com documentos, emails, diagramas, entre outros. Tais documentos permitem um acompanhamento de como está evoluindo o projeto e o que significa cada parte do código. Eles, também, serão utilizados por quem for prestar serviços ou manutenção no código e bases de dados.

Modelos de negócios

O orçamento de projetos é feito, basicamente, de duas maneiras:

O custo por horas é feito principalmente para serviços de suporte ou onde a ação é localizada e rápida. Uma estimativa de horas é passada ao cliente e junto com o valor da hora ele já tem uma idéia do quanto pagará pelo serviço. Variações podem ocorrer e o cliente é notificado imediatamente ao identificar algum problema que vá acelerar ou retardar o serviço.

O custo por projeto dá-se para as atividades que têm uma continuidade maior, como o desenvolvimento de um sistema ou um treinamento. Tais atividades normalmente acarretam um contrato de prestação de suporte ou consultoria e têm esta possibilidade vislumbrada em seu valor.

O modelo de negócios comumente encontrado em livros de administração e contabilidade normalmente prevêm um produto palpável, onde pode-se definir com relativa facilidade os custos para a produção de uma unidade.

Para software, entretanto, não há um produto palpável e o dimensionamento é ligeiramente mais complicado. Não há um produto palpável e todo produto é único. Mesmo para soluções comuns, as condições do cliente impõem que haja uma grande personalização do serviço.

Cada empresa solucionará este problema de uma maneira diferente. Algumas com maior e outras com menor eficiência.

Empresas de software fechado versus empresas de software livre

Os problemas descritos não são únicos de empresas de software livre. Eles também ocorrem em empresas de software fechado.

A vantagem de trabalhar-se com software fechado é que amarra-se o cliente à empresa que elaborou a solução inicial. Uma vez escolhida a empresa, o cliente estará preso a ela e à solução escolhida.

Para o cliente, a vantagem de trabalhar com software livre é a de que ele possuirá escolhas na contratação de serviços. Ou a empresa prestadora de serviços mostra um valor real e preços justos, ou ela corre o risco de perder negócios futuros.

Já perdemos negócios assim e com certeza perderemos outros. O interessante a notar é que o próprio mercado faz uma seleção dos profissionais. Um profissional com nome no mercado certamente terá um serviço de melhor qualidade — afinal, todos vêem o código escrito por ele — e garantirá ao cliente que a solução entregue estará mais perto de suas expectativas.

Um profissional desconhecido, por outro lado, não terá meios de diferenciar-se de um oportunista qualquer. Sabemos que há vários "experts" em tudo e que na verdade não entendem quase nada do que fazem. Estes conseguem cobrar preços menores pois não oferecem a garantia e não detêm o conhecimento dos profissionais renomados.

Note que não estou afirmando que o mais caro é o melhor. Pelo contrário. Estou afirmando que o que contribui mais para o mercado com tecnologia, idéias, soluções é melhor. Ele conhece bem sua área de atuação e poderá oferecer soluções mais criativas para problemas.

Muitas vezes um profissional tem que aconselhar seu cliente a não desenvolver algo se já existir uma solução que o atenderá. E o profissional deve conhecer uma vasta gama de aplicações e ferramentas para que possa combiná-las de maneira eficiente e rápida, solucionando os problemas do cliente.

Um dos grandes problemas que encontramos diz respeito a documentos como este, que apresentam a pessoas não-técnicas uma visão superficial do que se passa com os técnicos. Devolvemos à comunidade uma parte de nosso conhecimento na forma de artigos e outra parte na forma de códigos. Devolvemos conhecimento em listas técnicas, em fóruns, palestras e treinamentos.

Nosso intuito é o de mostrar que com o software livre não há uma mudança na maneira como as empresas trabalham. Há uma mudança na maneira como elas geram seus produtos: é necessário ter a qualidade do produto como um dos principais objetivos do projeto e é preciso mostrar ao cliente que ele terá vantagens em usar software livre.

Você colocaria em sua empresa uma solução que fosse a pedra fundamental das operações sabendo que um dia esta solução poderia não ser mais mantida? Que problemas detectados não seriam mais corrigidos? Você colocaria em sua empresa soluções que acabam-se com o fechamento da empresa que a criou?

O software livre e a disponibilização dos arquivos fonte para o cliente propiciam uma maior segurança garantindo a manutenabilidade do software mesmo após o encerramento da empresa, permitindo que adaptações e correções sejam feitas por qualquer profissional habilitado.

Em último caso pode-se reescrever o programa sem ter que investir o mesmo tempo em modelagem e solução de problemas já conhecidos.

Usar software livre não é economizar no preço do software; é economizar na manutenção e utilização do mesmo. Usar software livre é contar com o melhor que um profissional pode fazer e ter a garantia que outros darão continuidade ao processo se necessário for.

Nossa opinião pode soar totalmente tendenciosa, mas sinceramente não vemos vantagens em não usar software livre. Principalmente quando o maior beneficiado é o cliente.

Sobre este documento

Autor: Jorge Godoy

Data: 26 de janeiro de 2003

Última atualização: 26 de janeiro de 2003

“Um novo conceito em prestação de serviços”